Catarina continua a falar sobre as avaliações, e dentre uma palavra e outra o seu pensamento pousa sobre as memórias de seus pais. Maria, enquanto terapeuta, buscava no que estava sendo dito a causa de alguma coisa, porque quando se fala de pai e mãe deve de estar falando sobre a causa de alguma coisa. Se o que é dito é um rio, pai e mãe seriam duas pepitas de ouro reluzentes. Tudo o mais, a paisagem, o fluxo de água, lenta ou não, os peixes, as quedas d'água, as árvores que debruçam seus galhos verdes na lâmina de água, nada mais são do que detalhes.
Para o garimpeiro terra é fonte de ouro. Machuca-a com suas ferramentas duras e frias. Não lhe resta outra alternativa. Se a sua própria vida é escassa do que o faz humano, mortal mas equilibrado, tanto mais motiva-se a surrar a terra, quebrar as pedras e realizar tantas outras coisas que sabemos serem tão ou mais cruéis em busca do brilho amarelado.
Catarina ainda era terra de ninguém, enigmática, fechada e de extraordinário valor, principalmente para aqueles que se deixaram consumir pela febre do ouro e ficaram cegos para todo o conjunto. Ninguém sabe mais sobre o verde intenso das matas do que os índios, e ninguém se acha tão sabedor quanto os exploradores.
Maria era esforçada, mas parecia ter perdido a aula de história.
Continua...