O zunido de milhares de abelhas em um dia quente de verão, quando atiçadas por uma mão qualquer. Assim parecia o estado natural da mente de Christopher. Tão pequeno garoto e com tanto sofrimento já vivido nos últimos anos. Era uma daquelas criaturas que está vivo simplesmente para assegurar que há ainda alguém com coração piedoso na Terra. Christopher não era bem uma criança, mas um número em uma ficha de pesquisa universitária - posto que era mais número do que gente, não se esperava dele que sentisse alguma coisa, mas que falasse como as coisas davam-se assim e assado com ele e não de outra maneira. Havia mais cientistas interessados nele do que amigo com quem brincar.
Não sabia o que fazer, e, pequeno que era, só lhe bastava acreditar no que seus pais diziam. E seus pais e toda a gente dizia que ele era anormal, então ele não podia ser outra coisa. Anormalmente brincava, sorria às vezes, chorava maior parte do tempo.
A melhor brincadeira era dançar e brincar com Manoela, a amiga que sempre falava de uma bola dourada que ele deveria buscar. Manoela tinha a mesma idade que ele, e a pele branquinha da menina combinava com o vestido rosa e rodado que ela sempre usava. Para Manoela, Christopher era Christopher e não um punhado de números.
Continua...
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