Um conto vem sido transmitido de pai para filho. Ninguém sabe como surgiu, nem onde. O que se sabe dele é isso:
Em uma cidadela algumas pessoas eram escolhidas para escalar uma montanha íngreme e derrotar um dragão ferocíssimo que lá habitava. Não se sabia ao certo como o líder da comunidade decidia quem ia participar ou não. O que todos sabiam é que sempre havia os eleitos. O número deles também variava. Épocas existiam que metade do vilarejo ia, em outras, uma ou duas pessoas tiravam a sorte grande.
Por mais que dissessem que era bom, ninguém acreditava. Seria estranho se fosse diferente, afinal até aquela data alma alguma retornara daquela empreitada.
Um rapaz foi eleito. Mesmo tomado pela tristeza, ele pegou seus poucos pertences, algum material para a escalada e foi. Deixou para trás tudo o que poderia impedi-lo. Não sabia o porquê de estar indo, mas foi.
No caminho enfrentou tempestades, sol intenso, a desesperança e a solidão. Chegou em uma bifurcação. Um dos caminhos deveria ter sido trilhado por muitas pessoas. A grama estava nitidamente pisada e velha. Uma placa dizia: "Curto. Um dia de viagem.". A outra placa indicava: "Longo. Dias de viagem não foram contados. Obs.: Não durma no caminho".
Ele decidiu-se: "Vou por aqui. É apenas um dia e não tem restrições." Mas, ao completar o primeiro passo ele ouviu algo de estranho vindo do outro caminho. Um som bem diferente dos que ele já tinha ouvido. A curiosidade tocou forte em seu coração. Ele decidiu parar um pouco e pensar. Não conseguia decidir-se. Resolveu pegar uma moeda do velho bolso e tirar a sorte. "Se cair cara, eu vou pelo caminho mais curto. Coroa, vou pelo mais longo". A moeda saltou ao ar, refletiu o brilho do sol e ali estava: Coroa.
Continua...