Só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar (Carl Jung)

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Farelo de herói

Meu mundo de mentira ficou na esquina:
sobrou na curva fechada do pensar.

O gato ferido visitou-me à noite
e a roseira saiu da garganta daquela mulher
que me mostrou a placa de metal
onde havia seu nome e mais três.

Cuspi borboletas enquanto falava.
Xinguei o professor e, no lugar,
vi asas azuis e prateadas
para longe voar.

Deixei meu mundo de verdade na cama
e levantei cedo para brincar.

Não te encontrei no pique
nem no esconde.
Acertou-me uma bolada
no ato de queimar.

Virei menino sem pestanejar.
Deixei o herói na cama
sentindo seu corpo se esfarelar.

Vivi farelo.
Comi ilusões.
A espada estava cega
e o coração,
"- coração?"

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