Só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar (Carl Jung)

sábado, 13 de agosto de 2016

O dragão e o feitiço V

As palavras reverberaram na alma do próprio rapaz. Falou como que num estalo sobre o ser único que todos são. Fora quase uma intuição. Foi tomado pela palavra e a palavra se tornou vida fora dele. O dragão, ali escutando, insinuara a cabeça como se fosse num impulso de sua natureza, espantar o rapaz para longe ou matá-lo de um golpe apenas.
O frágil projeto de herói não soube o que disse ou pelo qual motivo disse, mas já estava dito e assim foi. Pensava profundamente no que havia sido regurgitado e não viu naquilo nada de seu. Ou talvez fosse e ele nunca houvera prestado atenção em quantas vezes foi sábio sem que soubesse. O que sabia é que teria sido tolo por muitas vezes, pacífico muitas vezes e tudo o que ele não teria gostado de ser ou de fazer também por vezes sem conta. Mas ali, com a vida em risco, encarando aquele ser cuspidor de fogo, de hálito podre e pele escamosa, ele começou a descobrir o que poderia ser vida e o que seria ele que não aquele mesmo que falou sabiamente - e quantas vezes somos sábios sem parecer, ou que mesmo sendo sábios somos tolos por não falarmos. E tantos outros momentos que não somos tolos nem sábios e a diferença entre a loucura e a sanidade é a música que toca ao fundo.

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