Só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar (Carl Jung)

sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Longinus

Na estreiteza da vereda vejo,
cruzes às margens
Como antigamente se costumava fazer,
Para os mortos nas estradas.

Cruzes são a tranca da porta
entre os vivos e os mortos.
O vivo, num ritual, fecha a possibilidade
Da vingança daquele que da vida foi tirado.

Ando como quem padece,
vejo como quem deseja,
Encontro como quem ora.

A mulher tira do barro
aquilo que falta pra ser arte.
Vejo santos esculpidos
e Longinus entre eles.

A mulher faz lembrar
que ter fé não é ter luz,
mas ficar vezes muitas em escuridão.
E que o conto não acaba
quando acaba a página.

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