Só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar (Carl Jung)

domingo, 4 de dezembro de 2016

Cataraina e a terapia VIII

Catarina estava cabisbaixa. Os últimos meses tinham sido duros para ela. A terapia mexia muito com seus sentimentos. Talvez mais do que ela estivesse pronta. Maria se esforçava. Apesar disso, Catarina não se sentia compreendida. Aquilo havia se transformado em uma oficina... uma oficina-consultório. Antes humana, virou paciente, de paciente a um aglomerado de engrenagens. Agora ela havia decidido por um ponto final: não era peça, nem engrenagem. Era humana. Só isso. Não sabia de que maneira falar com Maria, que havia sido esforçada ao máximo. Como dizer a alguém que o máximo não é o suficiente? Aí também residia uma lição.

- Maria, na sessão de hoje eu gostaria de falar algo com você.
- Pode dizer, Catarina. Sinta-se confortável pra compartilhar.
- Eu gostaria de encerrar os nossos encontros. Não é nada que você tenha deixado de fazer, mas é que não estou conseguindo lidar com tanta pressão, com tantos pensamentos. Às vezes eu acho que sou uma engrenagem... Não... Na verdade eu acho que você me trata como uma engrenagem.
- Eu gostaria que você falasse um pouco mais. Eu fiquei muito surpresa, mas gostaria que você fosse mais clara.
- Eu sempre chego aqui e, embora me sinta mal e precise de ajuda, você apenas fica me olhando, aplicando técnicas de relaxamento, de respiração... estou me sentindo mal com isso.
- Continue...
- Vê, é disso que estou falando. Isso me irrita: continue, como você está?, fez a lição de casa?. Estou cansada. Cansada de pensar, de tentar fazer com que você reaja. Já tentei gritar, chorar, falar calmamente... mas não importa o que eu faça, você não reaje e eu não consigo me conectar com você!



Continua...

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