Maria falara com Heitor e naquela manhã havia marcado com ele para ir na velha casa de campo do professor Ernesto. Os últimos dias dele foram aproveitados vendo os seu antigos livros e pertences sendo arrumados no último cômodo que havia planejado para a casa: um escritório-biblioteca.
Entrando ali, Maria foi inundada por emoções. O velho professor não deixara de conferir seu toque único àquele espaço. À direita e esquerda da porta de entrada via-se estantes que quase tocavam o teto. Mais à frente ficava uma grande janela, que servia quase como moldura para um riacho que cortava os fundos da propriedade.
Maria andou um pouco mais e viu no centro da sala, pendurado, um pequeno lustre. Tomou um susto, porque era a única coisa que destoava do contexto simples e convidativo da casa. Foi assim que perdeu-se em pensamentos enquanto olhava as pequenas peças translúcidas que faziam a iluminação se tornar mais charmosa.
Uma das memórias que surgiu em sua mente, pedindo por espaço e atenção foi a de uma fala do professor. Ele começara a aula escrevendo no quadro uma frase em latim que ela não mais lembrava. O que lhe restava na memória havia sido parte de um texto que o professor lera que dizia mais ou menos que o amor era algo raro nos dias de hoje e que deveríamos ficar mais abertos quando ele surgisse. Como todo pássaro selvagem, se nos assustamos quando ele pousa perto de nós, logo bate as asas para longe. O amor pode ser busca, mas é também aceitação.
Era engraçado lembrar disso. Maria estava se sentindo frustrada em ter que atender Catarina nesse mesmo dia à tarde. Talvez a reflexão sobre o amor a ajudasse, ou talvez só desse ainda mais coragem para Maria finalizar seu trabalho e recomendar que Catarina procurasse outro profissional.
Continua...
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