Só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar (Carl Jung)

sábado, 4 de junho de 2016

O caso Christopher

O choro preso na garganta. Joelhos dobrados colados ao peito. Braços envolvendo-os. Lágrimas que caem e cintilam na negritude do quarto quente e abafado. O relógio apontava 3 da manhã e não havia nada de tranquilo na madrugada. Christopher não sabia o que era ter um sono tranquilo há pouco menos de um ano. Perto dele havia rabiscos desconhecidos na parede, feitos por um pedaço de carvão que ele ao menos vira. Caracteres irreconhecíveis. Vozes sussurram-lhe ao ouvido coisas que ele não pode distinguir. As idéias se misturam e ele grita forte. Ninguém o escuta, então ele grita cada vez mais, cada vez mais forte, cada vez mais agudo. As luzes acendem lá fora. Ele percebe pela linha abaixo da porta uma claridade que se confunde à esperança.

- Christopher!!! Quantas vezes tenho que dizer que você não deve riscar as paredes? Quantas vezes eu preciso dizer que você está teimoso demais, birrento demais? Olhe só toda essa bagunça!

- Mas, mamãe, eu não fiz isso! Juro. 

- Quem fez?

- Não sei!!! Eles estão na minha cabeça.





Continua...

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