O jovem partiu pelo caminho mais longo. Poucos passos além do início e a passagem entre pedras e troncos velhos começou a estreitar-se. Ele não esperava por aquilo:
- "Além de ser longo, é o mais chato. Não dá pra me mexer direito aqui. Pedra de um lado, tronco de outro. Espero que não tenha nenhum bicho aqui".
Mas tinha. O que havia além de todos aqueles obstáculos eram bichos. Pequenos, grandes, coloridos, pretos e brancos. O medo apossou-se do jovem. Tremeu, sentiu frio na barriga. Tentou voltar e não pôde. Ficou cansado e adormeceu. Fez o que não podia.
Acordou assustado no meio da noite. Não conseguia ver além de um palmo de distância. Tateou o caminho, procurou por uma luz e não encontrou. Quando tudo parecia dar errado: chorou.
Uma voz baixinha pediu-lhe que andasse numa direção. Como não restava mais nada a fazer, ele obedeceu. A voz disse: "Dê um grito!". Ele gritou.
- Agora dê três pulinhos.
Ele pulou.
- Só falta dançar!
Ele dançou.
- Coma terra.
Ele não comeu. Irritou-se e discutiu:
- Não vou fazer mais nada. Estou parecendo um lelé da cuca fazendo isso.
A voz não respondeu mais.
Continua...
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