Só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar (Carl Jung)

domingo, 5 de junho de 2016

O Ferreiro

Vieste com teu jeito simples e roupas quase em trapos,
passando da esquerda para a direita de meus sonhos.
E as imagens, em meio a névoa de tudo o que sinto,
tomaram a voz de um mim mesmo esquecido há muito.

Reverenciei o meu profundo silêncio e nele tu me falaste:
"Homem, faço do que é dos outros desnecessário, minha arte:
A sucata na margem, o choro não visto, a voz não ouvida,
o órfão, a viúva, o amante despercebido, a dor e a cura repudiada.

Meticuloso na escolha, serro, dobro, soldo com mestria;
na lida secular, aprendi a ver o que resta como alta valia.
Esta é minha breve fala que em tua condição te ofereço".
Dessas tuas palavras em minha consciência rima faço

para colocar em terra o fruto do teu mais alto galho,
verei tua imagem, e do teu símbolo farei tema de trabalho.
Ferreiro e sábio és, ao lado do fogo e da água fazes
aquilo que aprendo agora: olhar do homem as necessidades.

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