Vieste com teu jeito simples e roupas quase em
trapos,
passando da esquerda para a direita de meus sonhos.
E as imagens, em meio a névoa de tudo o que sinto,
tomaram a voz de um mim mesmo esquecido há muito.
Reverenciei o meu profundo silêncio e nele tu me
falaste:
"Homem, faço do que é dos outros desnecessário,
minha arte:
A sucata na margem, o choro não visto, a voz não
ouvida,
o órfão, a viúva, o amante despercebido, a dor e a
cura repudiada.
Meticuloso na escolha, serro, dobro, soldo com
mestria;
na lida secular, aprendi a ver o que resta como
alta valia.
Esta é minha breve fala que em tua condição te
ofereço".
Dessas tuas palavras em minha consciência rima faço
para colocar em terra o fruto do teu mais alto
galho,
verei tua imagem, e do teu símbolo farei tema de
trabalho.
Ferreiro e sábio és, ao lado do fogo e da água
fazes
aquilo que aprendo agora: olhar do homem as
necessidades.
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