Só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar (Carl Jung)

segunda-feira, 30 de maio de 2016

O Quatro-Patas

Andou em passos dissimulados,
farejou como que tivesse perdido
a alma em algum canto do meu espaço.

Soube ignorar quando quis carinho;
e soube debruçar-se sobre si
quando quis o olhar do meu sentido.

Deitou-se sobre o que era meu
com a suavidade do inverno que chega.

Deixou-se tocar, quando quis brincar
com as minhas mãos feitas em brinquedo.

Era cedo e o tempo pedia repouso
para todas as coisas duras e racionais.
Parei em meio a calma daquele de pelos macios
e olhos penetrantes e sagazes.

Farejei o mito no descortinar dos fatos;
senti o símbolo do preto e branco
que de garras afiadas
desafiava a dureza dos meus dias.

Nenhum miado naquele dia,
só a visita do mensageiro de Bastet
aninhado em minhas vestes
e no telhado das minhas ideias.

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