Se passaram três semanas desde o primeiro encontro de Maria com Catarina. Era uma paciente de difícil manejo e demandava de Maria um esforço que ela não estava acostumada a fazer. Desde a faculdade, Maria sentia que seu futuro estava traçado e a paixão pela clínica seria forte o suficiente para mantê-la trabalhando e dedicando-se. Mas o destino muitas vezes prega peças nos mais entusiasmados. Agora a paixão e o interesse não eram suficientes. Catarina não mostrava avanços, apesar dos esforços incessantes de Maria. Foram livros, horas de supervisão e diálogos com amigos mais próximos que pudessem oferecer algum tipo de ajuda. Mesmo assim, nada parecia mudar. Pior do que isso, Maria suspeitava que Catarina estaria revivendo algo de seu passado. Nesse jogo, Maria estava caindo como uma presa fácil e sem boas perspectivas.
Mexendo em seus velhos cadernos de psicologia, Maria avistara um nome e um número de telefone. Era de seu antigo professor, Ernesto. Era um desses professores que passavam horas sentado e a comentar casos. Ela odiava esse tipo de professor, porque aparentemente não demostrava o menor interesse em seguir o projeto das disciplinas, e todos sabem como era importante saber todos os conteúdos. Pensava ela. No entanto, isso não era suficiente.
- Alô! Eu gostaria de saber se esse ainda é o telefone do professor Ernesto.
A pessoa do outro lado demorou um pouco a responder. Mas com voz trêmula...
- Olá. Esse era o antigo número do professor Ernesto. Aqui quem fala é o filho dele, Heitor. Veja... acho que faz tempo que você não liga pro meu pai, mas a verdade é que ele faleceu recentemente...
Maria não sabia o que fazer. Parecia-lhe que o destino, ou quem quer que o controlasse, não simpatizava com ela. Poderia ser um sinal de que ela deveria ir por outro caminho.
Como que lendo os pensamentos dela, Heitor continuou...
- ...e deixou para trás caixas com muitos livros e anotações. A biblioteca dele também está intacta.
Continua...
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