Só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar (Carl Jung)

domingo, 29 de maio de 2016

Os sonhos de Agamenon II

- Eu me lembro pouco. Só passa por minha memória flashes e uma sensação de caos. Tudo muito misturado: cenas que já aconteceram com situações que nunca vivi. Havia também muitas vozes. Meu sono foi ruim essa noite. Acordei e dormi várias vezes. Me sinto estressado e impaciente.

Era isso que estava escrito no pequeno papel que Agamenon dera a André logo no início da segunda sessão. Esse novo sonho, embora breve, trazia algo de confuso, como fora o primeiro. 
Agamenon era um sujeito tranquilo com uma barba branca e bem feita, que denunciava tanto sua faixa etária quanto o gosto pelas coisas bem feitas. Foi logo após seu quinquagésimo oitavo aniversário que ele aparecera no consultório de André, interessado em saber por qual motivo seus sonhos estavam cada vez mais constantes, sombrios e inexplicáveis.
André ouvira falar que os pacientes "sempre têm uma desculpa perfeita para procurar terapia" e o interesse do seu atual paciente pelo universo dos sonhos se enquadrava bem nisso. O que não achava enquadre perfeito eram as tentativas para descobrir o que havia para além do sonho, do dito, do sentimento que se transformara em imagem, cor e movimento.




Continua...

2 comentários:

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