- Eu estava em um lugar estranho. Corria desesperadamente sem saber a direção. Na minha frente havia duas árvores. Não sei bem se eram árvores ou se eram pilastras. Sei somente que passei por elas. Ao longe vi alguns parentes e amigos e eles acenavam para mim como se houvesse algo errado. Senti algo em minha boca. Fiquei desesperado porque parecia que meus dentes estavam soltos em minha boca. Cuspi três ou quatro deles.
Agamenon suava muito enquanto relatava seu sonho a André, o terapeuta. Tudo indicava que o sonho trazido espontaneamente poderia revelar algo de importante. Mas, para André, era um trabalho difícil e isso por uma série de fatores: o primeiro deles é que havia apenas duas sessões que ele e Agamenon estavam juntos. Portanto, conheciam-se pouco. André ainda não estabelecera um bom rapport com seu cliente. A segunda dificuldade era a de que o sonho parecia, a uma primeira vista, extremamente confuso, aleatório. A terceira, que fazia André coçar a cabeça de preocupação, tratava-se de um sonho comum a muitos: a imagem dos dentes caindo. Uma imagem, aliás, que ele mesmo já experimentara em seus sonhos e da qual não chegara a uma conclusão sobre o significado.
Por onde André começaria? Qual teoria ele deveria utilizar? Não lhe sobrava mais tempo para responder a essas questões. A sessão estava terminando e na cabeça de André pululavam questões sem respostas. Será que ele seria o terapeuta adequado a Agamenon? Como ele desvendaria aquele enigma em uma semana, até a próxima sessão com o aflito Agamenon?
Continua...
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