Do dia se fez escuridão,
e na escuridão todo som
se tornava a maldição das almas
que nunca cativei.
Armaram-se para envenenar
a vinha de sonhos que fora semeada.
Uma a uma, as folhas murchas caíram
forrando o chão úmido onde sentei.
Na cegueira, toquei a rocha pontiaguda
que recebeu com carinho meu sangue quente.
Toquei-o, eu mesmo, o aglomerado vermelho
das coisas que de pequeninas, nunca percebi.
Voaram sobre minha cabeça
aqueles alados negros
que dormem enquanto quedam em latência,
e que se assustam com a ameaça de luz.
Tive medo.
Ao longe, o som da gotícula que fazia da queda
beijo, som e onda, confortava a batida acelerada
do meu coração posto entre fogo e brasa.
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