Só aquilo que somos realmente tem o poder de nos curar (Carl Jung)

sábado, 14 de maio de 2016

Catarina e a terapia I

O dia estava muito chuvoso naquela quarta-feira. Era por volta das 15 horas, mas as nuvens densas faziam acreditar que já passava das 18hrs. Catarina odiava chuva. Odiava ter que andar com um guarda-chuva enorme que não cabia na bolsa e ainda virava ao contrário quando o vento mais forte o encontrava.
Aquele era um dia odiento para Catarina: chuva, trânsito pesado, buzinas. Parece que tudo o que ela não gostava resolveu reunir-se em um mesmo dia. Além disso, era nesse mesmo dia que começariam as suas sessões de psicoterapia. Catarina também odiava ter que precisar de algo assim, porque ela mesma não era doida.
A clínica era um lugar modesto. Na sala de espera havia cinco ou seis lugares e alguns quadros de temas diversos em duas daquelas paredes. Havia algo de diferente, mas Catarina não sabia ao certo o quê. Ficou por ali, encharcada da chuva.
- Não sei por que ainda uso isso! - referindo-se ao guarda-chuva - Sempre me molho toda. Só a cabeça que fica seca.
Alguns minutos se passaram e entrou na sala de espera uma jovem negra, trajando roupas muito simples e surradas. Catarina imaginou que fosse a faxineira e logo imaginou como alguém poderia ir trabalhar daquele jeito.
- Oi, Catarina! Fico feliz que tenha vindo hoje. Será que você poderia me acompanhar até a sala?
Catarina quase caiu, mas, por sorte, estava sentada. A faxineira havia falado com ela de forma educada e como já a conhecesse.
De fato, conhecia. Maria havia atendido um telefonema de Catarina semanas antes, perguntando sobre os custos de uma psicoterapia.
- Você é a psicóloga? - Disse Catarina, olhando-a de cima a baixo. - Vestindo-se assim parece uma faxineira, e das piores!


Continua...



2 comentários:

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